Antes de fazer a minha artrodese lombar (falei sobre isso aqui), o neurocirurgião havia me informado que eu deveria perder peso para manter os meus pinos estáveis e eu concordei. Mas quem disse que perder peso é fácil? Operei com 94kg e meses depois já estava beirando os 100kg.
O médico então sugeriu que eu fizesse uma cirurgia bariátrica. Confesso que já havia pensado nisso antes mas me faltava um empurrão. E foi exatamente o que ele fez.
Os comentários de que fazer essa cirurgia é o caminho mais fácil me incomodam profundamente (e vou explicar os meus motivos no decorrer desses 2 posts). Ninguém faz uma bariátrica porque não gosta de dieta ou exercícios. As pessoas fazem porque não conseguem perder peso mesmo fazendo tudo isso. PONTO. Existem muitos outros problemas envolvidos: ansiedade, depressão, metabolismo, genética. Para mim, o fato de encarar a obesidade de uma maneira simplista é raso e egocêntrico.
O processo pré cirúrgico pode ser bem demorado. No meu caso não foi porque faço terapia desde 2015, então conseguir o laudo psicológico foi muito simples. Para quem não faz terapia, pode ser necessário fazer um acompanhamento por no mínimo 6 meses. Os exames são os exigidos para qualquer cirurgia (sangue, eletro, cardio e coagulograma). Isso tudo para uma pessoa com convênio médico, pois não sei como funciona pelo SUS. No caso do meu convênio - Cassi, a cirurgia foi aprovada depois de uns 20 dias. Então, minha primeira consulta com o gastro aconteceu em dezembro/2018 e eu operei em março/2019.
O tipo de cirurgia que eu fiz foi a Sleeve (aquela na qual o estômago é cortado/reduzido, sem interferir nos intestinos).
A internação é rápida: normalmente se interna de manhã e opera no mesmo dia, saindo 2 dias depois. É necessário jejum total de 12 horas, inclusive de água. A cirurgia laparoscópica é totalmente indolor. Pelo menos no meu caso não senti nenhuma dor em nenhum dos 5 cortes que fizeram no meu abdômen. Li relatos de pessoas que tiveram desconforto devido à injeção dos gases na barriga, mas isso não aconteceu comigo.
Acordei na salinha de observação vomitando um líquido preto. Vomitei sem parar, por horas (ou pelo menos foi o que me pareceu), mas as enfermeiras encaravam isso com naturalidade então não me preocupei. Subi pro quarto e tempos depois, pude dar o primeiro gole em uma água de coco. E vomitei de novo. Na minha cabeça a parte de dieta líquida seria a mais difícil, normalmente dura 1 mês e durante esse tempo tive vontade de comer tudo o que via pela frente, justamente porque não podia. No hospital foi fácil, mas chegando em casa ás vezes eu chorava de tristeza porque sabia que alguém no andar de baixo estava comendo algo gostoso enquanto eu tomava gelatina diet. Passei esse período na casa da minha mãe e mal saía do quarto. Estava ansiosíssima para migrar para a dieta pastosa e poder comer purê de batatas e assim, marquei o retorno com a nutricionista 30 dias cravados após a cirurgia.
No geral, a fase de dieta líquida foi bem tranquila comparada com o que veio depois. A pior fase mesmo foi quando comecei a dieta sólida. E isso vou contar no próximo post.

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