Passei por dezenas de médicos e tratamentos: fiz fisioterapia, hidroterapia, pilates, infiltração (sem anestesia geral não é mesmo sr. hospital de ponta?) e tomei todos os remédios. Fiz parte de um projeto de um hospital bem famoso de São Paulo, para o qual a solução do meu problema seria aprender a lidar com a dor (juro, eu recebi um pdf por e-mail, chamado de Manual da Dor). Ouvi de um médico que operar para resolver o meu problema era a mesma coisa que matar uma barata com uma bomba atômica.
Pois bem, a situação era em 2018 que eu tinha 32 anos e não conseguia ficar mais do que 3 minutos em pé. Não conseguia ir ao mercado, ao shopping ou ficar na fila do pão na padaria. Não conseguia ir num show e ficar na pista, ou acompanhar o André nos passeios durante as viagens que a gente fazia com os nossos amigos. O meu primeiro pensamento era sempre: vai ter lugar para sentar? E não poderia ser em qualquer lugar, pois eu precisava também apoiar as costas em algum encosto.
Cansado do meu sofrimento, o André resolveu pedir indicação de algum especialista em coluna no grupo da Cassi no Facebook. E eis então que indicaram o Dr. Pedro.
Marquei e fui correndo. Fiquei 1 hora na consulta (paga pelo convênio) e finalmente um médico considerou o que nenhum outro havia considerado: a minha qualidade de vida. E daí que a cirurgia era grande pro tamanho do meu problema? Eu não conseguia nem esperar o elevador sem quase morrer de dor.
E aí, eu entrei na faca. Nunca tinha feito nenhuma cirurgia na vida e chorei feito um bebê no centro cirúrgico. Coloquei 4 pinos + 8 hastes e acordei como se tivessem me aberto no meio com um serra (e acho que abriram mesmo), fiquei à base de morfina por alguns dias. Não é uma cirurgia fácil, MESMO. A recuperação é lenta e dolorosa, eles movem o nervo ciático do lugar, a perna fica dormente, depois acorda, é um inferno. Ou como diz o Dr. Pedro: é um período chatinho. Sem contar que você fica limitado para fazer coisas básicas como tomar banho sozinho ou ir ao banheiro. Adeus dignidade.
Aproximadamente 3 semanas após a cirurgia, tive febre. Fiz uma tomografia e estava com uma infecção bem no local dos pinos. A nova cirurgia foi às pressas, com direito à minha cunhada infernizando o hospital e plano de saúde para que o procedimento fosse aprovado. Tive que abrir de novo, limpar e trocar o enxerto.
Passado mais 1 mês após a segunda cirurgia fui ao cinema. Antes que me julguem: era uma sessão de clássicos do Cinemark passando Indiana Jones e o templo da Perdição, um dos nossos filmes preferidos. O André tinha comprado o ingresso há meses, não queríamos perder. Bem, foi difícil, quase 2 horas sentada. Foi difícil até pra chegar ao cinema. Mas depois disso e aos poucos as coisas foram passando e com bastante fisioterapia, tudo voltou ao normal. A dor que eu senti a vida toda passou.
Antes de passar para a segunda parte e contar a história do André, deixo o conselho: tentou todos os tratamentos e mesmo assim continua com medo de operar? Não tenha, às vezes é melhor sofrer de uma vez do que dividir esse sofrimento ao longo de uma vida inteira. Procure médico que considere a sua qualidade de vida, acima de tudo.

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