O que fazer em Paraty/RJ (durante a pandemia)

 

Começo falando que a recomendação que deixamos aqui sobre ir para Paraty na alta temporada no meio de uma pandemia é: não vá.

A cidade merece uma visita completa, com sustância sabe? É linda e com essa história doida e genial de ter sido construída justamente para ser alagada.

Talvez tenhamos sido ingênuos demais, mas a nossa expectativa era de uma cidade menos cheia já que chegamos no meio de Janeiro, em uma segunda-feira, mas claro que não foi assim. Em circunstâncias normais seria OK andar no centro histórico lotado ou se enfiar uma casa histórica para comer em um bom restaurante. Mas em tempos de Covid quem em sã consciência quer fazer isso?

Como chegar?

Saindo de São Paulo, o caminho mais rápido é pela BR-459 e depois pela BR-101 (Rio-Santos), percurso que leva aproximadamente 4h. A gente queria um caminho "mais bonito" então pegamos a Rio-Santos desde São Paulo e nos arrependemos profundamente. Se você tiver a intenção de parar nas cidades do litoral para tirar fotos e etc, recomendamos pegar a Rio-Santos inteira, mas saiba que deve levar umas 7h até Paraty. No nosso caso, pareceu um percurso interminável e pegamos um mega congestionamento em Ubatuba.

Paraty x COVID-19

Nosso primeiro choque já na segunda-feira à noite foi o centro histórico mais parecendo a 25 de Março em um sábado. Já é difícil de caminhar devido ao chão de pedra e juntando com um multidão sem máscara te empurrando, ficou complicado. Aliás, esqueça chinelo e rasteirinha, vá com um par de tênis que possa molhar e poupe os seus dedos (acredite em mim).

Decidimos então fechar algum passeio, com a esperança de que o limite de 60% de capacidade dos barcos fosse o suficiente. Fechamos duas escunas menos procuradas para terça e quarta-feira, mas depois mudamos de ideia e cancelamos afinal, quem quer se enfiar em um barco com mais 30 pessoas? Para quem tiver interesse, pela Paraty Tours cada escuna sai por R$100/pessoa em passeios que duram entre 5 e 6 horas. Para fechar uma lançha privativa morrem R$1.500 reais. Os passeios de jipes também não nos pareceram inseguros, pois eram 7 pessoas por veículo. Quem quiser fretar vai precisar desembolsar R$800. O tour guiado pelo Centro Histórico também não fizemos, pois exigia outra aglomeração.

Depois da frustração, terça-feira decidimos ir por conta até Trindade. A distância do nosso hotel era de aproximadamente 45min já que tem uma serra bem chatinha até lá. Chegamos por volta das 11h da manhã e demos meia volta pois mais uma vez nos deparamos com uma multidão sem máscara. De noite, tentamos novamente jantar em uma pizzaria no Centro Histórico, sem sucesso.

Mudamos nosso café da manhã para 7:30 na quarta-feira e novamente fomos até Trindade, chegando lá por volta das 8:30 antes da chegada das vans de turismo e deu certo. A praia estava vazia, conseguimos ficar em uma barraca com tranquilidade e aproveitar um pouco a praia. Ficamos na praia de Fora, na divisa com a Praia do Rancho (são duas praias que parecem uma só). Lá tem estacionamento com banheiro e ducha, por R$30 e vale a pena pois dá pra estacionar bem na cara da praia. O mar é tranquilo e bom para banho, ideal para quem tem crianças. Antes dessa praia passamos pela Praia do Meio e a Praia do Cepilho, ambas vazias. Essa última tem o mar bem agitado, então nem paramos. 

Da praia de Fora também é possível fazer a trilha pro Cachadaço e as piscinas naturais, mas decidimos deixar pra fazer esses passeios mais procurados em uma época mais tranquila. Dá pra passar o dia inteiro na Praia de Fora/Rancho se você não tiver com medo do vírus já que possui uma boa estrutura, mas decidimos voltar quando começou a lotar (umas 10:30).

Na quinta-feira acordamos bem cedo e fomos até a Cachoeira do Tobogã. Local com estacionamento R$10 com acesso também à Igreja da Penha. Após uma trilha bem curta e fácil, chega-se à cachoeira de onde é possível escorregar pela pedra até um poço. Eu não tive coragem mas o André escorregou 3x. Subindo o rio mais um pouco pela trilha tivemos acesso ao Poço do Tarzan, outra cachoeira. Ali tem uma família hippie vendendo artesanato e o Bar do Tarzan (é preciso atravessar um ponte pequena de corda, bem segura, mas um pouco assustadora para pessoas com medo de altura). Ouvi uma conversa de que existe outro estacionamento que dá acesso ao bar sem que seja preciso passar pelas trilhas/ponte mas não sei como chegar por ali, acho que vale a pesquisa se você for com alguém idoso ou que não goste desse tipo de passeio. De tarde, tentamos novamente o Centro Histórico, dessa vez mais cedo (umas 17h) e finalmente conseguimos ver as lojinhas abertas, comprar lembrancinhas e jantar sem medo. Existem dezenas de lojas de artesanato, vendendo principalmente os imãs de geladeira em formato de porta de madeira e vários tipos de cristais, mas é naquele estilo: entrou em uma, entrou em todas. Vi também lojas de designers de bijuterias e semi joias muito bonitas e coloridas (com um valor agregado mais alto) e moda praia. O André encontrou o amor em forma de brigadeiro em uma barraquinha de rua, no valor de R$7. Não tomamos sorvete porque mais uma vez: estava tudo lotado.

Na sexta-feira, já prevendo uma cidade mais cheia ainda, decidimos fazer um bate-volta até Cunha, que fica divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro (e abastecer por lá já que a gasolina no RJ é muito mais cara), mas esse passeio vai render um post à parte.

No sábado decidimos aproveitar a nossa piscina privativa e ficamos no hotel, já que a cidade deveria estar mais cheia do que nunca, e no domingo seguimos para Petrópolis.

Resumo

Reiteramos que não é seguro ir para Paraty em alta temporada com a pandemia, infelizmente. A cidade é tomada por uma multidão de pessoas, o que acaba limitando muito o que pode ser feito por lá. Ficamos 5 dias sem poder visitar nenhuma das ilhas ou comer nos restaurantes mais legais. Pretendemos voltar em outra ocasião. 




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