Cirurgia Bariátrica - Parte 2

 


Enfim tinha chegado o dia em que eu poderia comer o tão sonhado purê de batatas!

Para a minha surpresa, a nutricionista me passou uma dieta sólida, com várias restrições. O primeiro dia caiu bem na sexta-feira santa e eu resolvi começar com bacalhau e tive o meu primeiro entalo. 

Entalo é quando não mastigamos direito, ou comemos um pedaço muito grande de algo, ou algum alimento muito seco. Ele fica parado no caminho até o estômago e dói muito. Mas ok, foi culpa minha, fui imprudente. Assumo.

Depois da Páscoa voltei pra minha casa. Na época meu pai estava muito doente e a minha mãe estava cuidando de nós dois. Como eu já poderia me alimentar "normalmente" não fazia mais sentido ficar lá atrapalhando. Aproximadamente 1 semana depois de voltar pra casa, comecei e ter sintomas estranhos. De repente passei a vomitar as minhas refeições. Como já tinha tirado os pontos e o meu retorno com o cirurgião seria somente após 60 dias, enviei uma mensagem pra ele. A resposta foi: - isso é normal, não se preocupe.

Decidi aumentar a frequência com que estava tomando sopas, e diminuir os sólidos mas não adiantou. Mandei mensagem novamente para o cirurgião e a resposta foi a mesma: isso é normal.

Depois de 3 semanas, passei a vomitar a água que eu tomava. Então imaginem: eu não conseguia comer e não conseguia tomar água. Moro em um apartamento de 55 metros quadrados, e não conseguia ir do quarto até a cozinha sem ter sensação de desmaio, tamanha era a fraqueza que eu sentia. Eu não sentia fome, mas sentida muita sede. Em um dia, conseguia tomar 100 ml de água gelada com um pouco de limão (receita que segundo a minha mãe, a ajudava com o enjoo quando estava grávida), e mesmo assim tomava 3 goles e vomitava 2.

Liguei no hospital e expliquei a minha situação, disse que precisaria de um encaixe com o cirurgião, e a secretária disse que ele precisaria aprovar. E ele não aprovou. Passei mais de 1 mês nessa situação: comendo e bebendo o suficiente para não morrer. Quando finalmente perdi a minha paciência, mandei uma mensagem para ele dizendo que eu precisava de ajuda pois não estava mais conseguindo me alimentar. A resposta foi: se não está conseguindo se alimentar venha até o hospital, estarei aqui até as 18h. 

Vamos lá: ele me enviou essa mensagem as 17:30, numa sexta-feira de muita chuva, em São Paulo. Eu estava no centro, e ele na zona sul da cidade. Pedi então que ele adiantasse a minha consulta para segunda-feira, e ele nunca me respondeu. 

Depois disso, pesquisei no Google outro médico especialista em bariátrica e achei um que atendia em um hospital próximo da minha casa. Por sorte ele tinha horário na mesma semana e a primeira coisa que ouvi quando falei dos meus sintomas foi: é claro que isso não é normal. Me pediu para fazer uma endoscopia e o resultado foi uma estenose. 

Estenose é um estreitamento. No meu caso meu estômago ficou dividido em 2 partes ligadas por um canal muito fino, pelo qual comida/água passavam com muita dificuldade. 

Fiz então uma endoscopia com dilatação (um balão foi inflado dentro desse canal, com o objetivo de alargá-lo) e depois disso passei a me sentir bem melhor. Aliás, já fiz esse procedimento duas vezes, e talvez faça uma terceira vez. 

Nunca soube porque isso aconteceu pois o meu médico atual nunca deixou muito claro, o que me faz desconfiar de erro médico. Mas não me importa, finalmente consigo comer meus 100 gramas por refeição e tomar os 2 litros de água por dia. Infelizmente não indico para ninguém o médico que me operou pois ele foi sim negligente comigo. Graças à esse um mês sem conseguir tomar água, hoje tenho 13 pedras distribuídas entre meus 2 rins. Antes da cirurgia eu tinha apenas 1 pedra.

Depois de 1 ano e 6 meses de cirurgia perdi 40kg e não me arrependo de nada. Sinto falta sim de poder tomar líquido enquanto como, de poder comer dois pedaços de pizza ou de não precisar optar entre o prato principal e a sobremesa. Mas em compensação gasto em média R$6,00 no restaurante por Kg e não sinto mais dores na coluna nem nos joelhos.

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